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Estou pensando em investir em bitcoin. É uma boa ideia?

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“Estou pensando em investir em bitcoin. É uma boa ideia?”

Gustavo Cunha, CFP®, responde:

Quando investimos, três perguntas são essenciais fazermos. Em que investir, qual o valor a ser investido e quando investir. Entendo que a pergunta me leva diretamente a responder a última pergunta, mas sinto a necessidade de esclarecer as duas outras primeiro.

Criptomoeda (e aqui entram além do bitcoin, etherium, litecoin, etc.) é hoje uma categoria de investimento que existe há pouco mais de um ano e que tem um papel importante na diversificação de carteira para diminuição do risco e aumento da expectativa de rentabilidade. Todas as teorias de investimento favorecem a entrada na carteira de ativos que têm seus movimentos de preços independente dos outros ativos e esse é um caso em favor das criptomoedas, que têm sua variação de preços pouco relacionada com a variação de preços dos demais ativos (dólar, bolsa, ações, etc.). Esse fator, por si só, já é uma boa indicação de que para termos uma carteira com uma boa relação de risco/retorno, colocar algum valor nessa categoria de ativo é recomendado. Fundos de investimento no Brasil já podem se aproveitar disso, investindo em fundos externos detentores de criptomoedas, o que deve ser cada vez mais comum e permite a nós, brasileiros, investirmos em criptomoedas através desses fundos locais.

Outro fator importante, muito embora mais subjetivo, é que a plataforma em que a maioria das criptomoedas está baseada, o blockchain, pode trazer imensas mudanças nas relações e serviços que temos hoje, na visão de muitas pessoas. Isso inclui não somente o mercado financeiro, mas tudo que envolve algum tipo de serviço ou contraparte. E como para investir é essencial um conhecimento de onde estamos colocando nosso dinheiro, esse processo educacional com investimentos iniciais pequenos é altamente recomendado para conhecer como essa plataforma funciona.

Comprar o bitcoin ou outro ativo dessa categoria fará pouca diferença pelo que o histórico mostra. Em geral, todas as criptomoedas se movem na mesma direção. Grandes quedas do bitcoin geraram quedas no etherium, litecoin, bitcoin cash, etc. E ainda há fatores particulares delas como, por exemplo a divisão do bitcoin cash que aconteceu no começo de novembro que complica acompanhamento e controle. Com isso, o foco deve ser no bitcoin mesmo.

Quanto ao segundo ponto (quanto investir), já acabei dando um “spoiler” acima. Pouco. O suficiente para não ter problemas financeiros caso alguma coisa dê errado. Seja pela imensa variação de preços, seja pelo fato de termos que gerenciar senhas — chaves privadas. No caso dessas plataformas, onde não há intermediários (bancos, corretoras, etc.), caso essa senha se perca, não há como recuperar o criptoativo e perde-se todo o investimento. Não estamos acostumados a isso e precisamos criar disciplina e organização no início. Por isso, começar pequeno, para aprender e, caso cometa algum erro, não comprometer o seu patrimônio é uma boa estratégia.

Indo agora para a última parte (quando comprar), é importante definir o horizonte de investimento e a técnica que será utilizada para isso. Quanto ao horizonte, no caso de criptomoedas, o mais comum são dois tipos: os especialistas em compra e venda de curto prazo, que ganham com pequenas oscilações e que em geral acabam comprando e vendendo no mesmo dia; e os que têm uma visão de longo prazo, acreditam na tecnologia, compraram e não têm expectativa de vender tão cedo.

No caso dos investidores de curto prazo, técnicas de análise grafista têm tido bastante sucesso para determinar pontos de compra e venda de curto prazo. No caso de investidores de longo prazo, o que mais recomendo é aproveitar momentos de tendência para montar posição, ou seja, comprar quanto se inicia um movimento de alta e vender quando começam os movimentos de baixa.

Dito isso, o ativo a ser comprado é mesmo o bitcoin em valores iniciais pequenos, mas, dadas as quedas recentes, um pouco mais para frente, quando a tendência se reverter, evitando “pegar a faca caindo”, como diz o jargão dos operadores de mercado.

Enquanto não compra, aproveite para conhecer mais sobre essa tecnologia e conversar com um planejador financeiro que poderá te dar informações preciosas em diversificação de ativos, técnicas de compra e venda, entre outras. Outra dica é começar a entender um pouco a nova categoria de investimentos que está sendo criada pelo blockchain, que são os security tokens (tokens valores mobiliários).

Gustavo Cunha é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: gustavo.cunha@finlab.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site EpocaNegocios.globo.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 08 de janeiro de 2019