Como ter ganhos em época de juros baixos

Desde que o Comitê de Política Monetária (Copom) começou a reduzir a taxa básica (Selic) até chegarmos hoje ao menor patamar da história, as pessoas começaram a se preocupar mais em como manter a rentabilidade de seus investimentos.

Mas principalmente agora, após alguns meses, é que muitos investidores estão se dando conta de como o retorno ficou bastante reduzido.

Nesse cenário novo de juros mais baixos é preciso fazer mudanças na forma de investir para conseguir melhor rentabilidade e ainda manter os riscos em níveis aceitáveis. Isso esbarra na falta de experiência de muitos e em hábitos como olhar apenas o retorno e não o risco, ou pensar apenas no curto prazo.

Para melhorar o retorno dos investimentos algumas medidas são necessárias:
Avaliar as taxas de administração dos investimentos atuais e ver as possibilidades de sua redução, como usar a portabilidade de planos de previdência complementar ou, em outros fundos de investimentos, mudar para outros com taxas mais baixas.

Pensar no longo prazo e nos aspectos tributários. As maiores remunerações geralmente estão atreladas a investimentos de prazos maiores. Nesse caso, as alíquotas de imposto também vão ficando menores.

Existem investimentos incentivados, isentos de imposto de renda para a pessoa física (dentro de determinadas condições) ou com imposto diferido.

Reavaliar a alocação dos seus investimentos, visando uma diversificação mais eficiente, investindo também em outras classes de ativos como crédito privado, ativos imobiliários, ações etc. Essa é a principal e fundamental mudança. Deve ser feita com todo o cuidado e com o acompanhamento de profissionais.

A alocação é que determina o retorno e o risco total do portfólio de investimentos.

Maior rentabilidade normalmente está atrelada à assunção de maiores riscos, presentes em muitos investimentos que estão sendo oferecidos hoje no mercado como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), entre outros. O investidor vai precisar conhecer melhor e se familiarizar com os tipos de risco envolvidos.

Risco de crédito: risco de inadimplência ou não pagamento, quando a contraparte enfrenta problemas. 
Risco de liquidez: risco de não conseguir reaver o principal no tempo estimado ou razoável, pode afetar negativamente a recuperação do principal e rendimentos. 
Risco de mercado: condições macroeconômicas podem afetar fortemente o valor dos ativos. 
E também o “risco” inflacionário, que pode corroer o retorno dos investimentos, levando a condições de juros reais negativos (perda de poder de compra)

Ao buscar alternativas de maior rendimento sem o devido cuidado, promessas de lucro fácil podem levar o investidor a correr riscos desnecessários ou, no pior caso, tornar se alvo de golpes financeiros. Até pessoas bastante instruídas podem seguir amigos que tenham entrado em “investimentos” e comentam o “ótimo negócio” que ele estaria perdendo.

Portanto, é preciso mais dedicação, buscar mais informação, avaliar detalhadamente as opções e assumir com responsabilidade os seus investimentos.

Oswaldo Sena é Planejador Financeiro Pessoal e possui a Certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected] 

Este artigo foi publicado originalmente no jornal Brasil Econômico em 28/11/2012. O texto reflete a opinião do autor, e não do Brasil Econômico ou do IBCPF. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.