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Como elevar rendimento de aplicação em renda fixa?

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“Recebi uma herança há alguns anos que vem mantendo meu custo de vida. Todo recurso está aplicado em um fundo de renda fixa e percebo que o rendimento tem sido menor ultimamente, como devo investir para que eu possa viver dos rendimentos desse investimento?”

Theo Linero, CFP®, responde:

Caro(a) leitor(a),

Seu questionamento é muito pertinente! Com a redução da taxa de juros básica da economia, conhecida como Selic, o rendimento dos fundos de renda fixa, principalmente aqueles que têm sua rentabilidade vinculada à essa taxa, chamados de pós-fixados, reduziu, quando comparamos o rendimento nominal.

Temos dois tipos de rentabilidades que devem ser olhadas com atenção: a rentabilidade nominal e a rentabilidade real. Esse seu questionamento a respeito da redução de sua rentabilidade está relacionado com a rentabilidade nominal, ou seja, aquilo que vemos no extrato do fundo e que nos mostra como foi a evolução do nosso investimento.

No entanto, temos na economia, um efeito chamado inflação, que pode ser explicado como o aumento generalizado dos preços. Assim, quando vamos acompanhar a rentabilidade de nossos investimentos, a inflação também deve ser levada em consideração.

Para isso, calculamos a chamada rentabilidade real, que nada mais é que a diferença entre a rentabilidade nominal e a inflação ou, o quanto você está ganhando de dinheiro na sua aplicação realmente.

Considerando que o rendimento de seus investimentos tem sido sua fonte de renda (e para esse texto, será considerada como única fonte), podemos trabalhar com três caminhos possíveis: o primeiro deles é verificar qual o rendimento atual de suas aplicações e adequar seu padrão de vida a ele, considerando a nova realidade econômica encontrada nos produtos de baixo risco, como o que suponho que você possui hoje. Assim, se você gasta, por exemplo, R$ 4 mil por mês, mas sua aplicação lhe rende R$ 3,5 mil, será necessário rever seus gastos para o padrão atualmente recebido de seus investimentos de R$ 3,5 mil.

É importante lembrar de considerar a inflação aqui também, tendo em vista que ela pode reduzir o ganho real de seu investimento (a rentabilidade real que falamos anteriormente) e, na outra ponta, aumentaria eventualmente seu custo de vida.

O segundo é buscar uma fonte de renda complementar, que lhe permita manter o padrão de vida que possui atualmente. Tomando como exemplo os números citados anteriormente, haveria necessidade de buscar uma renda extra de R$ 500 — a pergunta agora pode ser: mas como conseguirei uma renda extra? Bom, aí depende do que você gosta de fazer que pode se transformar em renda. Pode ser cozinhar, passear com cachorros, hospedar alguém em casa, enfim, inúmeras são as opções.

Por fim, o terceiro caminho indicado independente da adoção dos caminhos anteriores é conhecer seu perfil de investidor e ter bem definido seus objetivos de investimento: sua intenção é ter uma renda vitalícia? Ou por um prazo definido? Qual é o valor que você quer receber por mês?

Após responder a estas perguntas e entender como você reage às tais oscilações de mercado (aquele sobe e desce que conhecemos), você pode buscar diversificar seus investimentos em diferentes ativos e classes de risco, tornando mais plausíveis retornos acima do que sua aplicação em um único investimento permite.

Conhecer o seu perfil de investidor(a) irá auxiliá-lo(a) a buscar os investimentos mais adequados para seus objetivos sem tirar seu sono!

Sugiro, após tal exercício, que você avalie opções que lhe paguem rendimentos periódicos, tais como fundos imobiliários, títulos públicos ou privados (como debêntures, CRI e CRA) ou mesmo uma carteira de ações de empresas com bom histórico de pagamento de dividendos.

Esses produtos podem, eventualmente, apresentar uma rentabilidade mais interessante que a vista hoje em seu investimento e lhe garantem um fluxo periódico de dinheiro, conforme a sua necessidade.

Caso você não esteja familiarizado com o mercado e queira entender melhor os produtos mais adequados para seu perfil e seu objetivo, procure um profissional que possa lhe ajudar a criar uma carteira de investimentos mais adequada, alinhando expectativas e possibilidades disponíveis para você.

Bons investimentos!

Theo Linero é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: theolinero@gmail.com.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br.

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 08 de julho de 2019.