Como avaliar a taxa de administração das aplicações?

Um fundo de investimento que rende mais apesar de ter uma taxa de administração alta é melhor do que aquele com taxa baixa e rendimento menor? Como posso avaliar qual terá a melhor rentabilidade?

Camila Zago Vianna, CFP®:

A resposta a sua pergunta inicial é sim, desde que a comparação seja feita entre fundos de mesma categoria e perfil de risco. Quando aplicamos recursos em fundos de investimentos passamos a contar com a experiência de um profissional (chamado gestor) na escolha e na administração dos ativos que compõem a carteira. Basicamente a escolha dos gestores leva em consideração os objetivos do fundo de investimento (risco e retorno esperado) e o cenário econômico.

A taxa de administração é um encargo cobrado pelo administrador do fundo como remuneração pela prestação dos serviços de administração do fundo e gestão da sua carteira, podendo haver remuneração baseada no desempenho do fundo, a taxa de performance. Embora não seja o único elemento a ser analisado no momento da escolha um fundo de investimento, a taxa de administração é um componente importante da rentabilidade final.

O regulamento de cada fundo deve fixar a taxa cobrada pelos serviços de administração do fundo e ser expressa em uma base anual – e descontada diariamente de forma proporcional ao valor da cota do fundo. Portanto, o valor da cota e a rentabilidade publicadas pelo gestor já estão líquidas da taxa de administração e de performance, se houver.

Antes de analisar os valores da taxa de administração, é importante que o investidor tenha previamente definido o seu perfil de risco, pois a escolha inicial deve recair sobre o tipo de fundo que atenderá seus objetivos de rentabilidade, risco e prazo de investimento.

Como já citei, é essencial que a comparação entre taxas seja feita entre produtos da mesma categoria, pois um dos fatores apontados pelos gestores como determinantes da taxa de administração é a complexidade dos ativos geridos no fundo. Um fundo de ações ou multimercado tende a exigir mais operações, análises e profissionais envolvidos que um fundo de renda fixa, cobrando, na maioria das vezes, uma taxa superior às dos fundos DI e de renda fixa.

O valor mínimo exigido inicialmente é outro importante fator, pois fundos que permitem a aplicação de valores relativamente baixos tendem a cobrar taxas maiores. O motivo é simples: o trabalho que o gestor de um fundo tem para gerir pequenos ou grandes valores é o mesmo. Esse ganho de escala é traduzido em uma taxa menor para o investidor.

Nos fundos DI ou mesmo de renda fixa o custo da taxa de administração afeta diretamente a rentabilidade final dos produtos – e esse impacto é inversamente proporcional à taxa básica de juros do país, ou seja, quanto menor a taxa de juros vigente maior o impacto da taxa de administração nos fundos dessas categorias.

Nos fundos com perfil de risco mais elevado, como os multimercados e os de ações, a estratégia e a qualificação do gestor são fatores decisivos. A taxa de administração, nessas categorias, acaba sendo menos relevante, já que a capacidade do gestor em realizar operações pode trazer um bom resultado líquido de taxas para o cotista.

Em todos os materiais publicamente divulgados sobre fundos, será encontrada uma nota dizendo que a rentabilidade obtida no passado não representa garantia de rentabilidade futura. Assim sendo, recomendo que sua avaliação leve em conta: o histórico de performance do fundo em, pelo menos, doze meses; o comportamento do fundo em crises, como a do ano de 2008; e os riscos envolvidos.

Também é recomendável, é claro, a leitura do prospecto e do regulamento do fundo de investimento escolhido.

Procure seu gerente de relacionamento para mais esclarecimentos e auxílio na escolha de um produto que seja adequado ao seu perfil e objetivos de investimentos.

Camila Zago Vianna é Planejadora Financeira Pessoal e possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

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