Como estudar com pouco dinheiro

Marcia Dessen, CFP®:

A maioria dos jovens não nasceu em berço esplêndido e não contará com a ajuda dos pais para financiar seus estudos.

Trabalhar desde muito cedo é a realidade mais comum, seja para contribuir com as despesas da família, seja para pagar um curso superior, ampliando as chances de conseguir um bom emprego e um salário justo.

Como pagar a faculdade quando a renda é insuficiente? Existem basicamente dois caminhos para obter a graduação: recorrer a uma bolsa de estudos, parcial ou total, em uma das escolas que oferecem essa alternativa, ou aderir a um programa de financiamento estudantil.

Fies

Fundo de Financiamento Estudantil é uma ação do Ministério da Educação que financia cursos superiores não gratuitos com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior.

Durante o curso, o estudante paga mensalmente o valor da coparticipação, a parcela dos encargos educacionais não financiada.

Após a conclusão do curso, o estudante amortizará o saldo devedor do financiamento de acordo com a sua realidade financeira, conforme sua renda. Nos casos de estudantes sem renda, será devido apenas o pagamento mínimo.

O pagamento mensal será retido na fonte, descontado diretamente do salário, se houver. Estima-se que o financiamento seja quitado em 14 anos.

ProUni

Programa do Ministério da Educação que oferece bolsas de estudo em instituições particulares de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior.

Além de ter feito o Enem e obtido no mínimo 450 pontos na média das provas e nota na redação maior do que zero, o candidato deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até um salário mínimo e meio (bolsa integral) ou de até três salários mínimos (bolsa parcial, 50%) e satisfazer a pelo menos uma das condições abaixo:

  • Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
  • Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede particular, na condição de bolsista integral da própria escola;
  • Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em escola da rede particular, na condição de bolsista integral da própria escola privada;
  • Ser pessoa com deficiência;
  • Ser professor da rede pública de ensino, no efetivo exercício do magistério da educação básica, integrante de quadro de pessoal permanente de instituição pública e concorrer a bolsas exclusivamente nos cursos de licenciatura. Nesses casos, não há requisitos de renda.

É possível escolher qualquer curso com bolsa disponível, em qualquer instituição participante do ProUni. O programa reserva bolsas para políticas de ação afirmativa (cotas), devendo o candidato cotista se enquadrar nos demais critérios de seleção.

Cursos livres

Dependendo da qualificação pretendida e da área profissional de atuação, os alunos podem acessar cursos livres, a distância, gratuitos. Embora não sejam reconhecidos pelo MEC, complementam o currículo e agregam valor na hora de procurar trabalho ou investir na carreira. O site QueroBolsa apresenta diversos cursos nacionais e internacionais, vale a pena conhecer.

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo em 28/09/2020