A remuneração do assessor financeiro

Fui procurada por um assessor financeiro que recebe parte de sua remuneração como honorários que eu pago, parte de produtos/parceiros que ele me indica. Isso é legal? Como posso ter certeza de que ele está me mostrando o que é melhor para mim – e não para ele?

Silvio Paixão, CFP, responde:

Prezada leitora,

A legislação brasileira reconhece investimentos financeiros feitos com empresas e pessoas autorizadas a operar em mercados financeiros regulados. A CVM estabelece as categorias credenciadas de:

Agente Autonômo de Investimentos presta serviços de informações e negocia produtos de investimentos (Instrução CVM nº 497/11). Como pessoa física ou jurídica representa instituição financeira que os compra e vende;

Analista de Valores Mobiliários desenvolve e divulga análises de produtos de investimentos (Instrução CVM nº 483/10). De forma independente ou como pessoa jurídica, permite que investidores conheçam e sejam informados sobre estes produtos de investimentos, para avaliar a conveniência de possuí-los;

Consultor de Valores Mobiliários  (Instrução CVM nº 43/85) assessora investidores na identificação de produtos que atendam a interesses e necesssidades pessoais, devendo ter conhecimento e experiência para tal. Só nesta categoria a CVM reconhece que o profissional recomenda aplicações a investidores.

É razoável que o Agente Autonômo ganhe na intermediação de negócios, sem analisar a conveniência para o cliente; o Analista de Valores Mobiliários receba pelas análises de produtos de investimento, pagas pelos solicitantes dos serviços e sem relação com negócios feitos, com isenção para servir de guia comparativo para outros investimentos e da variação de preços por flutuações de mercado. O Consultor de Valores Mobiliários ganha por sua capacidade para identificar investimentos (adequados) aos clientes, recomendando-se que sua remuneração seja acordada a priori, sendo permitida a composição com ganhos de comissões pela venda desses produtos, pagos pelo vendedor.

É fundamental que você esteja consciente do papel do(s) prestador(es) de serviços escolhido(s) e consciente e confortável com a postura profissional e transparência dele(s).

Além da escolha de prestadores de serviço, érecomendável ter o SEU planejamento financeiro, para explicitar a esses profissionais o que você almeja para sua vida e colocar com propriedade e clareza seus objetivos, necessidades, prioridades e particularidades. O Planejador Financeiro Pessoal, certificado pelo IBCPF, desenvolve capacitações, atualiza-se regularmente e observa metodologia específica para construir planejamentos financeiros personalizados vis-à-vis aspectos legais, tributários, sucessórios e mercadológicos, bem como, de produtos de proteção a vida e do patrimônio. O planejamento financeiro pessoal serve também para monitoramento de desempenhos e verificação da aderência do realizado versus idealizado; requer revisão periódica para adequá-lo às mudanças que ocorrerão, sim, em sua vida e na economia.

Profissionais podem desenvolver várias atividades, sem apresentar situações de conflito aos interesses dos clientes; e receber rebates, ganhos na venda de investimento, não fere a legislação atual. É preciso, além de saber confiar nas pessoas contratadas, discernir se os produtos/serviços oferecidos lhes são apropriados, antes de adquirí-los. Para isso, é imprescindível possuir o seu planejamento financeiro para sua tranquilidade e bem-estar financeiro.

Silvio Secanechia Paixão, CFP é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]