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Qual o risco financeiro de ficar sem plano de saúde?

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“Tenho a sensação de que pago muito caro pelo meu plano de saúde, que consome quase 10% do meu orçamento. Vale mesmo a pena desembolsar todo esse dinheiro?”

Eliane Tanabe Deliberali, CFP®, responde:

Caro leitor,

Este assunto nos faz refletir a relação direta do custo versus benefício dos planos de saúde, pois costuma ter um peso relevante nos orçamentos pessoais, muitas vezes figurando nos maiores percentuais entre os gastos.

A pergunta é: até que ponto vale a pena desembolsar todo esse dinheiro, não é mesmo? Certa vez, avaliava com um colega o grau de utilidade de determinada decisão financeira. Até onde há valor em gastar certo montante por algo? Por atingir uma área sensível de nossas vidas é, para muitos, um gasto inquestionável.

Podemos optar por não pagar plano de saúde, mas alguns cuidados são importantes, como observar o estado de saúde geral e fazer check-ups regularmente. O risco assumido é passar por uma eventual situação de saúde com impacto financeiro relevante. Por exemplo, detectar uma doença grave ou, mesmo com boa saúde, sofrer um acidente que, eventualmente, precise de cirurgia e internação. Vale destacar que decisões relacionadas à saúde podem ter grande carga emocional e, para salvar uma vida, pessoas podem assumir dívidas altíssimas.

Outro ponto é observar que não pagar plano de saúde significa contar com o serviço público de saúde ou optar por pagar consultas e serviços de saúde particulares, desde que possa ou esteja disposto a custeá-los. Tenho constatado que, por conta da crise, desemprego e redução de orçamento, alguns optaram por abrir mão do plano de saúde. Para isso, consideraram a qualidade do serviço público da região onde moram ou a possibilidade de utilizar clínicas populares para consultas rotineiras.

Entretanto, sendo preventivo e, especialmente, quando já for possível prever algum agravamento de saúde que possa demandar atenção, consultas e exames frequentes, o plano de saúde se torna fundamental. Dependendo do tratamento, as consultas ao médico são frequentes e a duração pode ser longa.

Veja algumas opções que podem ser avaliadas para a redução de gastos:

– escolher companhia de seguro cujo valor do convênio ajuste no orçamento de forma confortável;

– trocar modalidade do plano de saúde para opção mais simples, porém isso reduzirá sua rede de atendimento e de hospitais;

– verificar se há um plano de saúde com valores reduzidos para associados ou benefícios mais amplos, caso participe de alguma associação de classe;

– montar reserva própria exclusiva para saúde e só recorrer à rede pública para valores maiores. Ou, ainda, fazer um plano de saúde hospitalar que proteja justamente nestes casos de valores maiores, que pode ser feito por PME ou por adesão. Há planos que cobrem somente casos de internação, por exemplo. Porém, além de consultas e exames, os serviços de pronto-socorro podem não ser cobertos.

Essas são formas de redução do impacto financeiro, mas, como destacado no início: qual é o custo versus benefício no seu caso? Escolher pode ser abrir mão de algum benefício.

Para uma melhor orientação, considere fatores como idade, histórico de saúde, necessidades de tratamentos contínuos, atividade profissional, estilo e ritmo de vida, viagens contínuas, doenças preexistentes na família etc. Além disso, considere o aumento da longevidade para possíveis tratamentos de saúde e a potencial dificuldade de contratação do seguro saúde com o avanço da idade.

Consulte sempre um planejador financeiro pessoal e avalie, a partir de seu contexto de vida, a melhor estratégia para evitar possíveis exposições.

Eliane Tanabe Deliberali é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: eliane.tanabe@gmail.com.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 24 de setembro de 2018