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Qual investimento é melhor após a aposentadoria?

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“Tenho três filhos e estou prestes a me aposentar. Com os filhos crescidos e independentes, as minhas despesas diminuíram bastante. Meu orçamento atual permite investimentos mais frequentes. Quais são os mais apropriados?”

Marcelo Milech, CFP®, responde:

A resposta vai seguir algumas hipóteses para permitir avaliar qual alocação dos investimentos será mais adequada. E o primeiro ponto é identificar quanto o cliente pode poupar regularmente e se este padrão de poupança é duradouro e sustentável.

Inicialmente, o leitor deveria acumular o suficiente para atingir uma reserva de emergência, e a prudência recomenda reserva equivalente a, no mínimo, 6 meses de gastos mensais. Respondemos, assim, a uma parte da pergunta. A reserva de emergência deve ser feita em investimentos muito seguros, com bastante liquidez. Ativos de renda fixa que protejam o leitor da inflação e gerem um rendimento real seguro seriam fundos indexados ao CDI, com taxas de administração as mais baixas possíveis. Outros ativos adequados são os títulos do Tesouro Nacional, chamados Tesouro Selic (LFT), que podem ser resgatados de imediato, em caso de emergência.

Uma vez constituída esta reserva, o leitor poderá direcionar a sua poupança para ativos que não exijam liquidez imediata e, por esta razão, proporcionem retornos reais (acima da inflação) maiores. Além disto, poderá aplicar em ativos de risco um pouco maior e que tendem a gerar retornos superiores no longo prazo. Existe aqui uma questão de preferência ou perfil de risco. Cada pessoa possui uma tolerância diferente diante da perda e as finanças comportamentais estudam cada vez mais este assunto. Nesta área, Kahneman e Tversky, ganhadores do prêmio Nobel de 2002, formularam a “Teoria do Prospecto”, afirmando que a dor da perda é mais forte do que a alegria do ganho.

Determinando o perfil de risco do leitor, poderemos enquadrá-lo em três categorias principais: conservador, moderado ou arrojado. Cada um destes perfis vai indicar qual a proporção de investimentos mais arriscados vai compor a carteira de investimentos. Tipicamente, investimentos em renda fixa, que são dívidas do governo ou de empresas, são menos arriscados, pois são emitidos com prazo e taxa predeterminados. Já citamos os fundos DI e as LFTs como exemplos, mas outros fundos e títulos indexados à inflação (IPCA), fundos de crédito privado, CDB de bancos ou debêntures de empresas podem ser avaliados.

Na categoria de renda fixa, ainda encontramos ativos que contam com isenção de Imposto de Renda, podendo ser um diferencial importante na rentabilidade líquida do investimento. Podemos citar LCI e LCA (emitidos por bancos), CRI e CRA (emitidos por empresas), que são papéis representativos de dívidas com lastro imobiliário ou do agronegócio. Apesar de tratarmos todos esses ativos na categoria de renda fixa, temos que lembrar que existe risco de perda, caso as condições de mercado mudem, com elevações bruscas nas taxas de juros de mercado, além do risco de crédito do emissor.

A segunda grande categoria de ativos é a renda variável que, como o próprio nome sugere, não possui prazo ou remuneração predeterminada e possui um nível de risco e, portanto, de retorno esperado, maior que o da renda fixa. Nessa classe, as ações são a opção mais conhecida, mas câmbio, commodities e derivativos são exemplos de outras aplicações em renda variável.

Aplicar em fundos (que são geridos por profissionais que escolhem esses títulos e cobram uma taxa de administração por isso) ou diretamente nos títulos também é uma escolha que o planejador financeiro pode orientar, a depender do conhecimento que o leitor tenha do mercado. Há gestores de fundos especializados em renda fixa, outros em renda variável, e outros que aplicam na combinação destas categorias, os chamados multimercados.

Pensando em planejamento sucessório, a previdência privada pode ser uma opção interessante para poupança de longo prazo, pois não passam por inventário e podem ter regimes tributários que adiem o pagamento e reduzam as alíquotas de IR sobre o rendimento.

Marcelo Milech é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: marcelo@milenium.adm.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 07 de janeiro de 2019