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Como se preparar para a aposentadoria?

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“Sou sócio de um escritório de advocacia, tenho 57 anos e no meu escritório há uma regra que todos devemos nos aposentar com 62 anos. Sabendo que vamos viver muito mais que nossos pais, como devo me preparar para minha aposentadoria?”

Eliane Jaqueline Debesaitis Metzner, CFP®, responde:

A aposentadoria é um período de fruição do que foi acumulado ao longo do tempo. Isto não quer dizer necessariamente o fim das atividades laborativas, mas uma rotina com mais liberdade. Envolve questões tanto financeiras como psicológicas, tendo em mente uma longevidade maior, em virtude dos avanços da medicina e da qualidade de vida.

Financeiramente, listamos os principais itens que devem ser considerados para um bom planejamento desta nova fase:

  • Situação patrimonial: é o levantamento dos bens, direitos e obrigações, separados por objetivo:

1) Bens de uso: são itens destinados ao uso próprio ou familiar, como carro, apartamento ou casa, imóveis de veraneio. São bens que geram despesas e, quanto maior o patrimônio de uso, maior serão as despesas fixas. Devem ser avaliados ante seu custo/benefício, cogitando adequações se necessário.

2) Bens de renda: são bens móveis ou imóveis que geram renda, como por exemplo salas comerciais para alugar e veículos de carga. É importante considerar fatores como vacância, liquidez, despesas de manutenção, depreciações e outros. São várias as formas de avaliar se a renda líquida do bem está adequada, como por exemplo, média de mercado, oportunidades e expectativas de valorização. Uma análise mais prática pode utilizar como parâmetro de comparação uma taxa livre de risco, como por exemplo CDI ou Selic, calculada sobre o valor do bem, para ver se o investimento compensa.

3) Bens “nem-nem” (nem de renda, nem de uso): são bens não de uso, ou pouco utilizados, e que também não geram renda, ocasionando prejuízo em sua manutenção. A avaliação sobre a preservação do bem no respectivo patrimônio deve considerar a expectativa de valorização (ou não) e melhor momento para venda e realocação em outro investimento.

4) Endividamento: em eventuais dívidas, considere prazos, taxas e comprometimento mensal. Como ainda faltam cinco anos para sua aposentadoria, se houver dívidas, cuide para eliminá-las ou reduzi-las ao máximo, porque, além de comprometer parte do orçamento com os pagamentos periódicos, também há o custo dos juros.

5) Investimento financeiro: contabilizar os investimentos em previdência privada, renda fixa, renda variável e outros, considerando os riscos e as rentabilidades. Um profissional com autorização da CVM pode ser útil na elaboração de uma carteira eficiente de acordo com seus objetivos.

  • Situação financeira: analise suas receitas e despesas, seu comprometimento mensal e se há sobras ou falta de recursos regularmente. Com o novo estilo de vida, pode haver alterações, como por exemplo cessar benefícios da empresa em planos de saúde, alimentação e outros. Também tenha em mente que, com mais tempo livre, pode haver despesas adicionais com lazer e compras. Aliado a tudo isso, há a possibilidade de uma eventual queda de receita. É importante fazer adequações desde já para ter mais tranquilidade na nova fase.

1) Rendas: relacionar as fontes de renda, como participação societária no escritório e outras empresas, aluguéis, rendimentos de investimentos, previdência privada e previdência social. São as entradas que garantirão a vida no futuro sem atividade laborativa. O ideal é que haja investimentos que, de acordo com a fórmula da Perpetuidade, comumente utilizada em cálculo do valor ideal para saldo acumulado em previdência, permita retiradas de rendimentos equivalentes às necessidades financeiras.

2) Despesas fixas e variáveis: ter ciência de todas as despesas anuais, fixas e variáveis, fazer um orçamento e acompanhá-lo mensalmente, fazendo ajustes quando necessário. Quando há um orçamento, tanto para despesas rotineiras, como deixando uma margem para imprevistos ou oportunidades, há maior segurança no decorrer do tempo.

Projetos de vida: é importante mensurar os projetos para o futuro, se há expectativa de viagens, investimentos, ações de voluntariado etc. Esses projetos auxiliam no bem-estar, construção do legado e necessitam de programação financeira, pois consomem recursos na sua execução.

Resumindo, para um bom planejamento financeiro do novo ciclo de vida, é importante fazer as contas da renda desejada, do patrimônio ideal para alcançá-la, assim como do tempo e esforço requeridos para atingir o objetivo, considerando a expectativa de juros e inflação do período.

Eliane Jaqueline Debesaitis Metzner é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: eliane_metzner@financasnapratica.com.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 28 de janeiro de 2019