Como se planejar para transição de carreira?

“Estou em transição de carreira e minha renda atual vem de meus investimentos. Enquanto não me recoloco no mercado de trabalho, como devo investir para preservar este capital?”

Leticia Camargo, CFP®, responde:

Caro(a) leitor(a),

Planejamento e disciplina são fatores extremamente importantes neste momento de transição, principalmente para que tudo transcorra sem lhe trazer complicações financeiras. O fato de estar procurando auxílio profissional já é um grande passo para isso.

Para começar, sugiro que você descubra qual é o valor da sua despesa atual, colocando tudo que gasta em uma planilha, um aplicativo ou até mesmo em um bloco de papel.

Com base nessas informações, você deve identificar o que são desperdícios que podem ser cortados, em quanto poderá limitar os supérfluos e como pode economizar nos gastos essenciais. Tente avaliar a real necessidade de cada um desses serviços e faça uma rodada de renegociações com todos eles.

Verifique também se é possível passar para planos ou pacotes mais simples, pelo menos nesse primeiro momento em que ainda estiver no processo de recolocação.

Com esses dados em mãos, calcule quantos meses poderá viver com sua reserva, dividindo-a pelo total de gastos mensais. Procure descobrir qual o tempo médio de recolocação de um profissional na sua área e analise se o cálculo anterior lhe deixará com um prazo confortável. Caso contrário, reavalie a sua planilha de gastos e tente dar mais uma enxugada nas despesas. O momento é de simplificar a sua vida e tentar enquadrar-se no que realmente é primordial.

O montante que será necessário para o seu sustento neste período de transição (de preferência com alguma folga) deverá estar investido em produtos financeiros bem conservadores, ou seja, que tenham baixo risco. Deverá também possuir boa liquidez, o que quer dizer que poderá ser resgatado/vendido a qualquer momento sem perda significativa de valor.

Esses recursos poderão ser aplicados em fundos de investimento DI, CDB DI de bancos com boa qualidade de crédito ou Tesouro Selic. De preferência, que tenham baixas taxas de administração/custódia e/ou que paguem um alto percentual do CDI.

De outro lado, procure evitar ao máximo os produtos com maior risco de crédito, de instituições que podem deixar de honrar seus compromissos de uma hora para a outra. Pois, mesmo que o produto seja garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que ninguém quer nesse momento é ter preocupações com a falta de dinheiro devido à quebra da instituição para a qual o dinheiro foi emprestado.

Mais um alerta: é importante estar atento(a) à inflação. Investindo em produtos conservadores, existe o risco da perda do poder de compra se a rentabilidade dos investimentos não conseguir nem acompanhar o aumento do seu custo de vida. Sendo assim, é importante procurar conseguir uma rentabilidade acima da inflação para o seu patrimônio, ou seja, com juros reais positivos, para manter o poder de compra e ainda obter um ganho real.

Por fim, é importante manter a calma e ser persistente na disciplina de cumprir o que foi planejado quanto aos seus gastos no período. Com as finanças em dia, você terá muito mais tranquilidade para ir atrás de uma nova colocação em sua área de trabalho!

Um bom planejamento financeiro pode lhe ajudar a organizar as ideias e o auxílio de um profissional certificado pode ser um facilitador.

Leticia Camargo é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected].

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 08 de outubro de 2018