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Como se planejar para abrir o próprio negócio?

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“Tenho R$15.000,00 e penso em abrir um negócio próprio. Quais aspectos preciso observar antes de sair do meu emprego atual?”

Paula Sauer, CFP®, responde:

Não ter patrão é o sonho de milhares de brasileiros, assim como é o seu. Hoje no Brasil, temos 36% da população adulta envolvida em alguma atividade empreendedora, alguns por opção, muitos por ocasião. Em função do cenário econômico, muitos dos que perderam seus empregos investiram suas verbas rescisórias em um empreendimento.

Não é o seu caso, mas é preciso que você tenha muita clareza de que o risco de perder o dinheiro investido em uma microempresa é muitas vezes superior ao risco do dinheiro aplicado na caderneta de poupança ou produtos de renda fixa.

Antes de dar o primeiro passo: Separe o que é dinheiro para o projeto de suas finanças pessoais!

Alguns aspectos importantes: independentemente de quanto você ganha hoje em seu emprego atual, ou queira ganhar por mês, saiba que em um negócio próprio até ele engrenar, ter clientes o suficiente para pagar as contas do empreendimento, fornecedores e ter lucros recorrentes, provavelmente você terá de dedicar bem mais do que oito horas de trabalho por dia. Inclusive nos finais de semana.

Para que valha pena correr o risco, o negócio precisa dar um retorno bom o suficiente para que você corra o risco de perder todo dinheiro e em muitos casos ainda ficar com dívidas caso tenha que tomar dinheiro emprestado, o que é uma possibilidade e você precisa estar bastante ciente disso.

Quanto ao negócio, algumas perguntas são bem importantes, você já trabalha na área desejada? Conhece a sazonalidade, cases de sucessos e fracassos deste negócio? A concorrência do ramo de atividade? Além da remuneração, que outros valores você enxerga no empreendimento? Te faz brilhar os olhos? Essas perguntas são necessárias, não só para saber se você está no lugar certo hoje, mas te fazer refletir sobre o negócio desejado.

Caso você tenha verbas rescisórias a receber, faça uma simulação dividindo esse valor pelo orçamento de suas despesas mensais. Esse cálculo te dirá quantos meses você consegue se manter sem emprego até o negócio dar lucro para pagar suas contas pessoais. Esse valor, corresponderá a sua reserva de emergência. Lembre-se: de uma maneira geral, empregado com carteira assinada tem alguns benefícios indiretos, que uma vez empreendendo você terá de arcar: plano de saúde, INSS e auxilio transporte são exemplos.

Deixe os seus R$ 15.000,00 aplicados em um investimento de baixo risco enquanto estuda o negócio. Se dê um prazo para tomar a decisão, este deve coincidir com a liquidez dos recursos aplicados. Só efetue saques fora das datas de vencimento, se for imprescindível.

Por fim, se a decisão for por empreender, vá fundo, mas mantenha-se empregada o máximo de tempo possível paralelamente a sua atuação no novo negócio. Será uma forma de você “se experimentar”, sem perder a sua renda mensal e benefícios. É natural que sejamos excessivamente otimistas e confiantes ao pensar no nosso negócio. Pequenos “pilotos” podem ajudar a testar suas ideias.

Estude muito sobre seu negócio, analise alternativas, prós e contras. Vá ao Sebrae, peça orientação para montar um plano de negócios; eles são ótimos e podem te ajudar com essa tarefa.

No limite, se entender que empreender não é para você, correu o risco mínimo e viveu a experiência.

 

Paula Sauer é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: paula.sauer@economiadevalor.com.br

As respostas refletem as opiniões da autora, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br.