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Como planejar o intercâmbio dos filhos no exterior?

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“Tenho uma filha de dois anos e um menino recém-nascido. Tenho planos para que, no futuro, eles façam um intercâmbio fora do Brasil ou até mesmo estudem em outro país. Aplicar em um fundo cambial é uma boa opção?”

Felipe Cesar Giacomini Ferreira, CFP®, responde:

Caro leitor, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pela preocupação e o planejamento da educação de seus filhos com a devida antecedência.

Para iniciarmos o raciocínio que nos leva à construção deste plano, no momento em que escrevo este artigo, pesquisei o desempenho do dólar e da taxa básica de juros brasileira ao longo dos últimos 15 e 20 anos, período que está alinhado aos seus objetivos, e constatei que a taxa de juros brasileira acumulou ganhos de aproximadamente 1.400% em 20 anos e pouco mais de 468% em 15 anos, contra  36% e 141% do dólar respectivamente.

Diante dos números apresentados, seria tentador concluir que a taxa de juros brasileira no longo prazo supera com ampla folga o desempenho do dólar, porém devemos nos lembrar que o desempenho passado de qualquer ativo não representa nenhuma garantia de retorno futuro.

A partir desta afirmação, o conceito de diversificação de riscos mais uma vez se mostra como o caminho mais sensato a ser perseguido, o que nos possibilita aproveitar o histórico das altas taxas de juros brasileiras e, ao mesmo tempo, buscar a exposição cambial que faça mais sentido de acordo com sua necessidade.

Existem diversas formas de executar um plano de longo prazo que possa minimizar as preocupações com incertezas que possam acontecer neste período. A primeira delas é simples e acessível para a maior parte dos investidores e consiste em formar uma reserva de títulos do governo de longo prazo que possa oferecer proteção contra a inflação, combinada a uma alocação em fundo cambial de uma forma que possa ter garantia de juro real brasileiro e alguma exposição ao câmbio.

A outra alternativa é mais restrita devido à complexidade dos veículos utilizados, os custos envolvidos podem onerar os resultados caso o volume seja baixo.

No caminho mais complexo, é possível comprar um título do governo brasileiro emitido fora do país que ofereça exposição cambial e uma rentabilidade prefixada. Neste momento um título para um prazo superior a 15 anos oferece uma rentabilidade de aproximadamente 6% ao ano em dólar, sendo assim, você teria a exposição a moeda além de uma rentabilidade de 6% ao ano ao carregar este papel até o vencimento, além disso é possível estruturar esta alocação com vantagens tributárias e sucessórias.

Há a possibilidade de constituir uma pessoa jurídica fora do país, conhecida popularmente como off-shore, que lhe permite preparar por um caminho mais simples a sucessão patrimonial destes recursos, caso você venha a faltar. Um dos principais benefícios deste tipo de estrutura está na ausência de imposto sobre sucessão e ausência tributária durante a fase de acumulação que alguns países com tratamento tributário oferecem.

Portanto, pensar na elaboração de um plano visando garantir esta parte importante do seu futuro demanda uma complexidade estrutural que vai além do habitual. Do ponto de vista de investimentos, é prudente manter uma alocação em moeda local de uma forma que você possa aproveitar a taxa de juros brasileira e as boas oportunidades existentes em seu país. Por outro lado, é importante ter a tranquilidade de que parte da alocação possui proteção contra oscilação da moeda e uma rentabilidade denominada em dólar.

Sugiro que procure um profissional que possa detalhar todo o trâmite burocrático para executar as sugestões descritas. Aproveite que você ainda tem o tempo a seu favor. Alcançar este objetivo será de grande satisfação em sua vida.

Felipe Cesar Giacomini Ferreira é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: felipe@mhtinvest.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br.

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 03 de setembro de 2018