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Como funcionam e quais os riscos dos multimercados?

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O que são os fundos multimercados? Vale a pena investir nesses fundos?

Mario Okazuka, CFP, responde:

Caro leitor,

Quanto à primeira pergunta, podemos definir que os fundos multimercados são aqueles que permitem ao gestor realizar aplicações em diferentes tipos de ativos, não restringindo a sua política em um único instrumento. Com tantas possibilidades, não devemos fazer as nossas análises considerando todos eles como uma única categoria. Neste sentido, a Anbima estabeleceu 11 tipos, conforme a sua principal estratégia, permitindo ao investidor uma decisão mais consciente.

Alguns exemplos dessa classificação são os denominados balanceados, que possuem uma política de alocação já pré-determinada nas classes de ativos e não é permitida alavancagem; os fundos macro, que realizam operações com base no cenário macroeconômico; os fundos de juros e moedas, que fazem investimentos em estratégias com riscos em juros, índice de preços e moeda estrangeira; e os fundos long and short, que fazem operações ligadas à renda variável.

Podemos ver que os multimercados podem ser utilizados nas alocações das carteiras de diversos perfis de investidores. Há desde aqueles destinados ao perfil mais conservador, com políticas que permitem ativos de baixo risco e sem volatilidade, e também os mais arrojados, que são comparáveis a um parque de diversões com brinquedos de alta escala de emoção, com diversos loopings, quedas bruscas em que a pessoa demora mais tempo para voltar ao seu estado padrão.

Sobre a segunda pergunta, se considerarmos que há três anos os investidores podiam adquirir um título público a uma taxa de 14,25% e, atualmente, com uma taxa Selic de 6,5%, há uma necessidade de maiores retornos e, consequentemente, maiores riscos, os multimercados são uma das melhores categorias de fundos para investir, pois permitem capturar os ganhos, delegando para uma equipe a gestão, em um cenário em que é preciso estar mais ativo para buscar uma carteira eficiente.

Porém, antes de fazer o seu investimento, é importante fazer alguns questionamentos:

– Quanto eu estou disposto a perder do capital investido? É preciso verificar se os limites que são estabelecidos para o gestor atuar estão em linha com o que o investidor aceita.

– Qual o horizonte de tempo que quero manter esse investimento? O investimento em um fundo multimercado não é o mais indicado para aqueles que miram um curto prazo, pois as estratégias desenvolvidas geralmente buscam uma rentabilidade em um prazo mais longo.

– Caso precise do dinheiro, em quanto tempo ocorre o pagamento do resgate? Um ponto importante que deve ser analisado durante o processo de alocação é a liquidez. Dado que são instrumentos que possuem diferentes tipos de riscos, os gestores estabelecem regras de prazos mais longos em caso de pedido de resgates. Isso é feito para possibilitar o desmonte de suas estratégias e que não haja maiores prejuízos para os cotistas.

– Quais são as taxas cobradas? De forma geral, esses fundos além da taxa de administração estabelecem taxa de performance — ou seja, à medida em que o gestor obtém retornos superiores ao benchmark, parte desse retorno é destinado a ele, como uma forma de alinhamento de interesses. Vale lembrar que a performance é cobrada, no mínimo, semestralmente, então, não adianta o fundo performar um mês, é preciso ultrapassar o benchmark em um período maior.

Para encontrar as respostas, os investidores devem ler os documentos e avisos dos fundos. Bom investimento!

Mario Okazuka é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros E-mail: mokazuka@yahoo.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 08 de abril de 2019